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Metodologia

Mapeamento dos dados

De onde vem cada número da central, quantas etapas ele percorre antes de aparecer, o que o sistema recusa no caminho e onde a cobertura ainda tem buraco. A metodologia inteira, sem depender de abrir tela por tela.

O princípio

Número sem fonte não entra

Toda ocorrência no mapa e todo número nos painéis carregam a origem (órgão, instituto ou veículo) e o período a que se referem, e a tela exibe os dois. Tudo abaixo é consequência dessa regra: as três formas de entrada de dado existem para preservá-la, e o que não passa por uma delas não é publicado.

As três entradas de dado

Um dado chega à central por um de três caminhos. Cada um tem um grau diferente de automação e um ponto diferente onde uma pessoa decide.

Entrada 1

Conectores de órgão público

Uma função agendada bate, a cada três horas, nas APIs abertas de órgãos federais e traduz o que está ativo agora para a taxonomia da central. O conector para no arquivo de rascunho: não grava no banco, não resolve coordenada, não deduplica. Essa parte é da ingestão, que é auditável e reprocessável. Cada recoleta atualiza o mesmo registro (severidade que subiu, prazo que esticou) em vez de criar um novo.

Entrada 2

Imprensa local, por rastreio e triagem

Onde não há API federal (rodovia interditada, apagão, enchente urbana, seca decretada, crime noticiado), a central lê RSS de veículos: quatro fontes nacionais, o G1 de cada estado e de uma a três publicações locais por UF cobrindo as cidades acima de 100 mil habitantes. O rastreio junta candidatos; a triagem decide, um a um, o que é ocorrência real, adapta e ingere. Nenhum texto de terceiro é republicado: só o fato, a cidade e o link para a matéria de origem.

Entrada 3

Indicadores públicos, por coletor

Os painéis vêm de coletores que só fazem uma requisição a um portal público e mesclam o resultado sobre um snapshot versionado no repositório. Um portal do governo fora do ar é esperado: o snapshot cobre, e o número preservado aparece marcado como tal. Nenhum coletor escreve no banco nem interpreta o dado: a série histórica é a verdade, e os recortes por estado e o número nacional são derivados dela.

Conectores ativos (8)

Cada linha é uma API pública de órgão federal lida automaticamente. A coluna à direita diz que tipo de ocorrência a fonte alimenta.

  • INMET: Avisos Meteorologicosclima-severo
  • CEMADEN: Painel de Alertasdesastre
  • SGB/CPRM: SACE (nível de rio)desastre
  • Sistema Alerta Rio: escorregamentodesastre
  • INPE: Programa Queimadasdesastre
  • InfoDengue: arbovirosessaude
  • Câmara dos Deputados: votações de plenáriodecisao-institucional
  • Banco Central: meta Selic (Copom)decisao-institucional

Fontes dos indicadores (11 painéis)

Cada painel declara suas fontes na própria página. A lista abaixo é a mesma, reunida num lugar só.

Como um fato vira ponto no mapa

Entre o rascunho e o pino, todo registro passa por estas etapas: as mesmas para o que veio de conector e para o que veio da triagem.

  1. Validação de formato

    Todo rascunho passa por um schema estrito antes de qualquer escrita. Campo fora do formato, tipo de ocorrência inexistente ou fonte sem link é recusado ali.

  2. Portão de fase

    A central está na fase 1. Nenhum tipo de ocorrência à frente dessa fase entra no banco: o schema recusa. Subir esse número é decisão de produto, não efeito colateral de uma ingestão.

  3. Coordenada resolvida, nunca digitada

    O ponto vem do nome do município conferido contra a malha do IBGE. Município inexistente vira erro com sugestão, não um pino no lugar errado.

  4. Coordenada arredondada na escrita

    A granularidade do tipo arredonda o ponto antes de gravar. A coordenada precisa não chega a ser salva: é o que impede o mapa de apontar um endereço identificável.

  5. Deduplicação

    Dois registros do mesmo fato colapsam num só. Fonte que republica de hora em hora carrega uma chave estável para atualizar o mesmo documento em vez de multiplicá-lo.

  6. Título derivado

    O título de cada ocorrência é montado a partir do tipo e da cidade (“Roubo em Sorocaba”). Não há campo de texto livre de usuário no produto.

  7. Prazo de validade

    O pino de evento vive por um prazo curto e sai do mapa quando vence. O registro que se acumula ao longo do tempo é o agregado mensal.

Como um indicador é montado

  • A série histórica é o dado de origem; os recortes por estado e o número nacional são calculados a partir dela, não coletados à parte.
  • Todo conjunto carrega fonte e período de referência, exibidos na página. Dado preservado por falha de coleta vem marcado como snapshot.
  • O mapa colorido por estado só aparece quando há série para pelo menos dois estados; abaixo disso, só a tabela.
  • Indicadores de unidades diferentes nunca dividem o mesmo eixo. A comparação lado a lado é o padrão; a sobreposição só existe em base 100.

Um recorte à parte

O mapa do crime é registro de imprensa, não estatística

Os pontos de crime vêm só de notícia de veículo local, um fato por matéria, com a URL da matéria como chave: cinco roubos noticiados na mesma cidade no mesmo dia são cinco pontos, não um. O schema proíbe resumo em texto: é estruturalmente só fato, sem prosa e sem nome de ninguém. Esse tema fica fora do mapa geral e das páginas de estado de propósito. Para a série oficial há dois painéis: o do Mapa do Crime (SINESP VDE) e o de Segurança (Atlas da Violência).

O que a central não faz

  • Não recebe relato de caso individual: a fase que abre isso está fechada.
  • Não publica nome de vítima, de suspeito ou de rua.
  • Não guarda coordenada precisa: todo ponto é arredondado na gravação.
  • Não usa mapa pago nem SDK de mapa no navegador: o basemap é vetorial e servido do próprio site.
  • Não republica o texto de matéria de terceiro; guarda o fato e o link para a origem.
  • Não faz análise de opinião, projeção ou ranking editorializado: só fato com fonte e período.
  • Não é canal de emergência: para socorro, 190, 192, 193 ou 199.

Limitações conhecidas

Nenhuma camada de dado é completa. Estas são as fronteiras que valem ter em mente antes de tirar uma conclusão de uma tela.

  • A cobertura de imprensa local é desigual

    Algumas cidades acima de 100 mil habitantes ainda só têm o G1 estadual como fonte, e portais que bloqueiam leitura automática ficam de fora. Menos pontos numa região pode ser menos noticiário, não menos evento.

  • O mapa do crime é o que foi noticiado

    Cada ponto de crime vem de uma matéria de veículo local, um fato por matéria. Serve para mostrar o que a imprensa registrou numa região; não substitui o boletim da secretaria de segurança nem o SINESP. A série oficial está nos painéis.

  • Indicador tem defasagem

    Cada série anda no passo da fonte: semanas para preço de combustível, meses ou mais de um ano para PIB, mortalidade e homicídio. A página do indicador sempre mostra o período de referência do último dado.

  • Alguns recortes de segurança são proxy

    Parte das taxas do painel de segurança é calculada no recorte de capital e usada como aproximação do estado. Isso está dito na descrição de cada indicador.

Ritmo de atualização

Os conectores rodam a cada três horas. A triagem de imprensa roda sob demanda, várias vezes ao dia. A coleta de indicadores roda por rodada, no passo de cada fonte. Erro identificado é corrigido e fica registrado na página de correções; para apontar um, use este caminho.